
Dez anos atrás, quando eu tinha 7 anos, fui com a minha mãe a uma livraria, porque eu "queria porque queria" ler Pollyanna.
Minha mãe deu-me o livro de presente, e quando tentei lê-lo, senti extrema dificuldade, pois aquelas palavras eram difíceis demais para mim (eu não tinha a mínima idéia do que seria uma canastra, por exempl. Aliás, por coincidência -ou não- a tradução foi feita por Monteiro Lobato). Então minha mãe, percebendo minha dificuldade, decidiu ler o livro ao meu lado e me ajudar com as dúvidas. Mas precisar de alguém para explicar as sutilezas de um livro nunca foi o tipo de coisa que me agradou, sendo assim, as explicações de minha mãe duraram somente alguns capítulos.
Tentei ler Pollyanna algumas outras vezes no passar dos anos, porém, nunca o havia terminado, porque para mim o livro era "chato demais" (eu continuava sem compreender algumas sutilezas). Mas ele permaneceu lá, intacto em minha estante. Em nenhum momento pensei em vendê-lo ou dar a alguém, como fiz com alguns outros livros, talvez pelo fato de ter sido o primeiro livro que eu fui a uma livraria comprar para mim (até então os livros eram só dados ou emprestados).
Esse ano, durante as minhas aulas, eu havia prometido a mim mesma (como eu faço em quase todos os anos), que durante as férias eu leria todos os livros da minha estante que eu ainda não li e assistiria a todos os filmes que por algum motivo estivessem "encostados".
Pois bem, as férias chegaram, e eu de fato estou cumprindo a minha promessa. Chegou a hora de tentar ler, pela décima vez (ou algum número bem próximo disso), o por diversas vezes encostado Pollyanna.
Quando começo a ler, fico simplesmente presa a história da menina que aprendeu a ser sempre feliz e cativou todos a sua volta, inclusive a mim, humilde leitora, com o seu "jogo do contente".
Chorei horrores, mais do que lendo qualquer outro livro, enfim, fiquei extremamente emocionada. Comecei a ler hoje, e em menos de uma tarde, o que é um recorde dado o "tamanho" do livro (e o fato de eu ler com calma), já o havia terminado, com aquela sensação ruim de quem acaba de ler um livro que poderia não ter fim.
Estou compartilhando minha história com vocês porque esse livro realmente mostra como meus gostos literários, assim como o meu conhecimento da língua portuguesa (o vocabulário do livro não me foi mais um desafio), foram evidentemente mudando com o tempo.
Então, se você também tem aquele livro "encostado" na sua estante, tente lê-lo novamente, quem sabe não terá uma agradável surpresa.
Beijos,
Bell.
P.s.: A capa do livro que aparece nesse post é exatamente a capa do livro que eu tenho há 10 anos aqui em casa.
Há 8 meses



